Carta aberta

Já faz muito tempo que eu não consigo escrever nada. E muitas vezes eu me convenço que não é falta do que escrever é só desmotivação mesmo, como agora.

Muita gente escreve para ser entendido, para encontrar no mundo um ponto de equilíbrio, para chegar à conclusão de que não está sozinho nessa coisa chamada vida.

Eu escrevo porquê penso demais. Escrevo porquê se estou andando na rua e vejo um senhor meio cambaleante tentando pegar uma sacola apoiada perto do asfalto imagino que ele vai cair e morrer atropelado por um ônibus e que alguém no meio da multidão vai dizer que eu empurrei o cara. E gasto horas dando voltas na minha cabeça com isso, acusações, defesas, lágrimas. E para escrever essa história, o que eu faria? Falaria principalmente de como me senti em relação a isso. E sinceramente, isso é muito chato.

Parabéns a todo mundo (e a mim) que vivem citando Clarice e Caio, juntos fizemos da minha pessoa ( da internet) e dos meus textos as coisas mais chatas do mundo. Porque não dá pra viver em um mundo cheio de gente tão profunda e sofredora. Eu quero ser mais fútil que isso. Eu preciso de uma folga dessa babaquice que é sentir demais por tudo.

Se você chora vendo Elisa Lucinda emocionada no desfile da escolas de samba de Vitória, amigo tem alguma coisa – muito – errada com você!

Então, oficialmente estou dando um tempo, até eu conseguir produzir algo diferente do que eu fiz até hoje.

Chega uma hora que ou você muda, ou você aceita ser quem as pessoas acham que você é, julgando sua vida pelos seus textos.

E eu não sou a menina angustiada e profunda dos meus textos, eu sou a infeliz que passou na hora errada quando o bêbado caiu e foi atropelado por um ônibus.

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4 Comment

  1. Samira says:

    Sinto-me frustrada às vezes por não dar conta de limitar tantos pensamentos que vão surgindo em minha mente. Alguns tão loucos e que me deixam tão preocupada, como se carregasse o mundo nas costas. Mas em um ponto já tento me policiar: deixar de levar a vida tão a sério, dar-me o direito de rir das banalidades proferidas por mim e por outros e parar de achar que tenho que ser obrigada a ser séria e dita intelectual porque é isso que parece que algumas pessoas esperam que eu seja, entende? A esta Samira dei folga por tempo indeterminado. Porque a vida é curta e a gente tem que saber curtir mais, né?
    Bjão, Lari. Não sei se viajei demais, mas se sim, perdoe-me… Rsrsrsrs

  2. Juldimar Moreli says:

    Léris,

    Eu te amo de qualquer jeito, mas principalmente porque vc sente demais por tudo e consegue colocar tudo isso em seus textos. Acho que é isso que te faz tão cativante. Amo tudo que vc escreve (tenho todos os bilhetinhos bobos na nossa época de trabalho juntas e ainda tatuei vcs no meu pé). Vou ficar do lado de cá, esperando os próximos textos, curiosa para ver a nova Léris “cheia de futilidades”.
    Beijo grande pra vc.
    Juldis

    1. Me emocionei com seu comentário Juldis. Que bom se sentir tão querida assim por alguém tão especial quanto você. Saudades demais de ti..

      beijo!

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