Ninho

Ninho

Eu adoro falar sobre saudades. Relembrar histórias, conversas e até as brigas. Tudo acaba se tornando saudade.

E achar perdida dentro da minha carteira uma foto 3×4 sua, me lembrando de sua aparência séria que faz pouco jus a sua personalidade, trouxe de volta lembranças de quantas vezes eu já ouvi dizerem: “mas vocês só poderiam mesmo ser irmãos”.

A saudade só não é maior a cada lembrança, porque bastam alguns minutos pra que eu me encha de orgulho de ter você como irmão. E olha, tenho pra mim que orgulho de irmão é uma das coisas mais bonitas que estão por aí sendo sentidas. Porque, mesmo havendo uma obrigatoriedade de gostar e viver bem quando crianças (“não briguem, vocês só tem um ao outro”) hoje é gratuito o amor que eu tenho por você.

Dizem por aí que morremos de ciúmes um do outro, eu nego e você não assume. E entre todos os cuidados a gente se descobre sempre muito parecido. Tudo em você indica seriamente o caminho que escolheu. E isso é motivo para todos falarem de você com muita admiração, motivo pra que a gente se sente junto e escute todas as suas histórias.

Quando eu nasci, você já estava lá. O homenzinho sorridente das fotos; e eu quase não me lembro de nada. Aprendi a falar chamando por você, mas nunca ninguém soube explicar porque te chamo de “Ninho”. Algo que sempre foi só meu, só nosso.

Você cuidou de mim na rua, em casa e mesmo distante sempre tinha uma palavra amiga pra me dizer quando eu lamentava um amor. Me ensinou um monte de coisas, foi um chato enquanto estudava pro vestibular e quando eu insistia pra que me levasse pras festas, mas sempre foi uma das melhores companhias pra rir, conversar e beber.

Nem mesmo a profissão fez com que você perdesse o jeitão divertido, aliás, acho que é responsabilidade dela que você seja cada vez mais engraçado.

Quando crianças, você deixava eu te seguir na rua atrás dos teus amigos e nunca se importou de me deixar a “colher especial” no café da manhã. Brincava comigo, mas nunca cumpriu a promessa de passar uma tarde inteira no meio das minhas bonecas, afinal “isso é brinquedo de mulherzinha”.

Vinicius, Dardengo, Shempa, gordo… Nada disso existe, você é o Ninho. Capitão Ninho. Irmão, orgulho, amigo. De quem eu tenho saudades, sempre, todos os dias. E sei que mesmo longe, tendo você, eu nunca vou ser sozinha. E me envergonho, porque não existe a possibilidade de conseguir escrever algo que realmente diga como eu me sinto por ter você como meu irmão, único, em todos os sentidos.

Parabéns. Eu amo você.

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2 Comment

  1. Que lindo minha filha…me emocionou. Queria ter essa facilidade com as palavras como você…Adoro ler tudo que vc escreve. Bjão

  2. Laura Morgan Agustinho Ferreira says:

    Vinícius, parabéns, mesmo atrasado.
    A Larissa se supera a cada dia. Parabéns a vocês por terem um ao outro. Que Deus os abençõe.

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