Pipas

pipa

Voou alto, borboleteou  em cores por um céu muito azul, foi alto, entre as nuvens, atrás de algum sonho.

Com os pés no chão o garoto não tirava os olhos daquele colorido oscilante bem mais longe do que os olhos lhe permitiam ver com clareza. Um vento forte. Um puxão.

Não via que ali bem ao lado uma menina com olhos de amor observava tudo.

Os  olhos fixos no céu. A pipa flutuava, dava pra sentir que ela estava acima de uma forte corrente de ar; ele resolveu arriscar uns passos, tateou com cuidado o chão, estava quase no momento exato de correr.

A menina estava ali e sabia que devia sair da direção dele, ele estava vindo tão distraído e tão encantador, que ela simplesmente não conseguiu se mexer.

Foi uma trombada, de frente, ele caído, sentado no chão meio tonto olhou pro céu avistou a pipa e num ímpeto de raiva deu um pulo gritando “parece um poste”.

A menina estremeceu. Abaixou os olhos, segurou o braço dolorido pelo impacto, mordeu os lábios e o máximo que conseguiu foi um suspiro de desculpas.  Segurou com toda a força o choro, não era dor, era uma vergonha terrível por causa do primeiro erro cometido por se estar apaixonada.

Virou de costas, perdida, meio sem rumo. Já não precisava mais evitar as lágrimas. Sem entender porque fez aquilo, chorou mais ao lembrar-se daqueles olhos incríveis enfeitiçados por uma pipa, que nem sequer a notaram.

Ele ficou parado, vendo ela de costas, sem entender, encabulado por nem sequer ter olhado pra ela, pelo grito de raiva.

Ela ameaçou sair, ele a segurou pelo braço.  Esbaforida e num susto ela virou. O rosto melado de lágrimas, o cabelo atrapalhado pelo vento.  E num ato de inocência ele sorriu.

Não um sorriso qualquer, um consolador. Ela desviava o olhar e ele seguia com os olhos os movimentos dela, sempre formando outro sorriso quando o seu se cansava. Com o braço livre ela secou um pouco o rosto, de cabeça baixa percebeu que era o seu olhar quem procurava o dele agora.

Eram aqueles mesmo olhos incríveis, de um castanho cheio de mistérios, ela só precisava ver aqueles olhos pra saber que ele ainda estava sorrindo, o sorriso envergonhado no canto da boca surgiu.

Ele ficou animado, sorriu mais, fez som de riso, balançou-a pelo braço num gesto de “anime-se”. Ela se deixou envolver, divertiu-se com a situação, com a cara de boba, com a doçura dele em consolar, esfregou um pouco o braço pra disfarçar o choro com uma possível dor física, ele sorriu mais, ela o empurrou.

Sentou embaixo de uma árvore pra ver as pipas, ele voltou, foi lá pro meio e agora seus olhares eram divididos entre a pipa e ela. E a partir de então, sempre que se notavam sorriam.

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5 Comment

  1. Bruno Scopel says:

    Eu não tenho ninguém pra me olhar soltando pipaaaaaaaaa BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ (talvez seja porque eu nunca gostei de soltar pipa ^^)

    Fantástico texto. Pra variar.
    Bleh.
    ;*

  2. cara, muuito bom, muito bom mesmo…
    incrivel como em tão “poucas palavras” vc conceguiu misturas um sentimento de amor, alegria, tristeza, raiva, e perdão.
    da para imaginar como se fosse um filme cada momento da historia…
    muito bom mesmo lari. bjao.

  3. Greenshu says:

    Show.

    Eu gostei.

    A imagem lembra o desenho que eu tenho, né não?

    ahah

    maneiro
    parabéns

  4. leticia says:

    miga….
    incrivel ….
    ate m senti sendo segurada pelo braço….
    cada vez melhor heimmm

    bjs

  5. Tão sutil e tão doce como sempre… consegui imaginar tudinho como se tivesse acontecido num desses morros de Burarama onde a molecada vive soltando pipas… beijos!

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