Resenha – A Cor Púrpura

A Cor Púrpura

Sinopse:

O livro narra a comovente trajetória de uma mulher negra na racista América do início do século passado. A Cor Púrpura é um romance feminista sobre a força e dignidade do espírito humano. Aline Walker foi vencedora do Prêmio Pulitzer em 1983.
A comovente história da adolescente negra começa em uma pequena cidade na Geórgia (EUA) em 1909. Celie, uma jovem com apenas 14 anos é violentada pelo pai e se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de engravidar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã. Ela é doada por seu pai a “Sinhô”, que a trata mais como escrava do que como esposa. Grande parte da brutalidade com que Sinhô a trata provêm por alimentar uma forte paixão por Docí Avery, uma sensual cantora de blues, que foi sua amante e tem grande influência na vida de Celie. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie, que se tornou missionária na África. Conforme a trama se desenvolve, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.
O livro é narrado em primeira pessoa e tem uma linguagem bastante peculiar de uma “quase analfabeta”.

O que eu achei:

Existem livros pelos quais você não nutre nenhum tipo de expectativa, aqueles em que você acredita que será apenas mais um clássico e quando se dá conta, está completamente entregue e envolvida com a história.

Não é sempre que a gente tem o prazer de ter em mãos livros assim. Estou dizendo tudo isso porque, se em determinados momentos eu fico muito interessada em ler um livro que me foi indicado, na maior parte das vezes eu sigo um dos meus instintos e geralmente ele me diz que certos livros precisam ser lidos, ninguém especificamente me indicou eles, eu apenas sei que, pelo senso geral, trata-se de uma obra que não pode ser ignorada.

Foi assim com a A Cor Púrpura, ninguém me indicou, eu apenas me dei conta de que ele estava ali, no Kindle, esperando por mim.

A primeira sensação é de que estou lendo uma história muito, mas muito antiga, isso me ajuda a aceitar a dura realidade imposta a Celie. Depois, fiquei bastante consternada por perceber que histórias como a dela ainda são muito reais e vividas diariamente por milhares de mulheres ao redor do mundo. E essa é uma coisa que eu venho reforçando todos os dias, o sentimento de empatia. Eu não preciso necessariamente viver uma situação para entender o quanto ela é errada e injusta. Eu não preciso ser negra para entender que negros sofrem SIM com o racismo, nem gay ou trans para perceber como essas pessoas ainda são excluídas e perseguidas; e apesar de ser mulher e de certa forma, ser privilegiada em muitas coisas, eu entendo que muitas mulheres, em diversas partes do mundo ainda sofrem muito com o machismo. Acredito que o sentimento de empatia pode nos ajudar a entender melhor o mundo e o que o outro passar. Por isso sempre me sensibilizo muito com esse tipo de história.

E se você precisa de algo mais atual, e não anda vendo/lendo jornais talvez você possa dar uma lida em Precious (ou até mesmo ver o filme) para entender melhor o sentimento de empatia.

A Cor Púrpura

Mas voltando ao “A Cor Púrpura”, Celie é uma jovem de apenas 14 anos violentada pelo pai e entregue a um homem, com um passado sombrio, em casamento. Vivendo uma vida de humilhação, ela só pode conversar com Deus através de cartas, sendo que mais tarde, passa a escrevê-las para Nettie, sua irmã mais nova e a única pessoa no mundo que já a amou. É através dessa troca de cartas que vamos conhecendo mais do dia a dia dessas duas mulheres e de tantas outras que passam por suas vidas.

Provavelmente a palavra que mais identifique algumas dessas personagens seja: feminista. Apesar de que muitas delas nem entenderiam o que isso quer dizer, mas se comparadas a Celie e sua servidão durante quase todo o livro, algumas se destacam por não se curvarem perante homens que acham que podem dominá-las, seguindo a diante com suas vidas e encarando as consequências de suas escolhas, mas sempre reservando-se ao direito de ter suas próprias escolhas. Dentre elas está Docí, a amante que estabelece moradia na casa de Celie durante um longo tempo e com quem ela desenvolve uma amizade muito especial.

A princípio parecia impossível para mim acreditar que aquilo estava acontecendo, como aceitar dentro da própria casa a amante do marido? A situação só demonstra o quanto Celie fazia pouco valor de si mesma, e isso é de partir o coração.

A verdade é que, quando uma mulher se sente dona de si mesma, quando se conhece e se ama, poucas coisas no mundo podem detê-la, diversas coisas podem feri-lá, é claro, mas saber o valor que se tem nos ajuda a ir muito mais longe.

A história ainda aborda de forma muito delicada relacionamentos homoafetivos o que me surpreendeu positivamente, se ainda hoje existem tantas barreiras para se falar sobre o assunto é preciso dar o devido crédito a quem, tanto tempo atrás, se predispôs a fazê-lo.

A cada página eu ficava ainda mais maravilhada pela liberdade da autora de falar de forma tão simpática e, as vezes, até mesmo discreta sobre o assunto. Foi bom ver o poder de transformação que o amor tem nas nossas vidas.

Quando uma pessoa se sente amada, quando ela enxerga no próximo um ponto de apoio, nada no mundo pode impedi-lá de ser feliz.

É um clichê, mas é a mais pura verdade, o amor o capaz de transformar tudo, até a mais dura das realidade.

Talvez eu não tenha conseguido me expressar bem, ou até mesmo dado muitas voltas com o texto, mas eu realmente espero que você encontre um tempo na sua rotina para esse livro.

 


Nota: 4/5
Skoob
O livro estava esgotado em todos os sites quando esse post foi publicado.
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2 Comment

  1. […] “Celie é uma jovem de apenas 14 anos violentada pelo pai e entregue a um homem, com um passado sombrio, em casamento. Vivendo uma vida de humilhação, ela só pode conversar com Deus através de cartas, sendo que mais tarde, passa a escrevê-las para Nettie, sua irmã mais nova e a única pessoa no mundo que já a amou. É através dessa troca de cartas que vamos conhecendo mais do dia a dia dessas duas mulheres e de tantas outras que passam por suas vidas. A história ainda aborda de forma muito delicada relacionamentos homoafetivos o que me surpreendeu positivamente, se ainda hoje existem tantas barreiras para se falar sobre o assunto é preciso dar o devido crédito a quem, tanto tempo atrás, se predispôs a fazê-lo. A cada página eu ficava ainda mais maravilhada pela liberdade da autora de falar de forma tão simpática e, as vezes, até mesmo discreta sobre o assunto.” Blog Literatura Pessoal […]

  2. stefane garcia says:

    Oi Lari ..Meu amo as suas resenhas ainda mas de temas como feminismo. É difícil achar um blog de resenhas que tratem deste tema.
    To acompanhando seu blog e parabéns muito bom!!

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