Resenha – A Garota no Trem (Paula Hawkins)

a garota no trem

Sinopse:

Um thriller psicológico que vai mudar para sempre a maneira como você observa a vida das pessoas ao seu redor.

Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.

Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

O que eu achei:

Eu fico mal quando um livro diz ser um thriller psicológico sem de fato cumprir o papel de um thriller psicológico, porque bem, vejamos a definição: é um gênero da literatura que usa o suspense, tensão e excitação como principais elementos do gênero, e no caso psicológico pois acrescenta boas doses de paranoia na jogada.

Assim como em Caixa de Pássaros, o livro realmente tem uma boa carga de paranoia, mas é só isso, o suspense cansa e o terror criado em torno dos personagens não convence. Porém, devo admitir que o a história da Paula Hawkins me prendeu, apesar de eu ter “matado” seu desfecho logo no início. A leitura flui muito rápido e isso pode ser um dos pontos positivos que levaram o livro a ser um grande sucesso de vendas.

Não sou o tipo de leitora que gosta de uma história só pelo final surpreendente que ela possa ter, e algumas vezes saber o final da história não é um problema para mim, então, ok, eu já imagino o que aconteceu e qual será a grande revelação final, mas vamos lá, o caminho para chegarmos lá também pode ser tão interessante quanto o fato em si, ou não.

O que aconteceu durante a minha leitura de A Garota no Trem é que eu estava muito empolgada pela possibilidade da história, e por isso me diverti na leitura e praticamente devorei o livro. Quando terminei minha primeira sensação foi “que história fantástica”, mas aí quando parei para refletir um pouco mais sobre tudo o que li (e para escrever essa resenha) percebi alguns clichês e pontos que me incomodam bastante na narrativa de Hawkins.

Não me levem a mal, é um pouco confuso pra mim também. Talvez se eu não tivesse percebido logo no início o que iria ser revelado eu teria ficado mais satisfeita, mas não foi o caso.

A história é narrada do ponto de vista de 3 mulheres, Rachel, nossa Garota no Trem, Megan, uma jovem que mora numa casa na beira da ferrovia por onde Rachel passa todos os dias e Ana, a nova esposa do ex-marido de Rachel, que olha só, também mora na beira da ferrovia, algumas casas para frente.

Acompanhando a sinopse percebemos que a história se desenrola porque Rachel viu algo realmente chocante e não pode ignorar o fato, o começo do livro até tem uma boa introdução e você fica “opa isso aqui vai ser bom, hem”, mas então isso se perde por um único e simples motivo: Rachel é chata. Você passa páginas e páginas tentando ficar com pena dela, mas ela é chata. Me compadeci um pouco da sua situação de alcoólatra, realmente deve ser uma situação de muito sofrimento, mas ela é chata sóbria também, então, fica difícil de defender.

Logo descobrimos que Megan desapareceu, ela é uma moradora da beira da ferrovia, Rachel todo dia observava Megan e o marido e criou uma história de amor maravilhosa para os dois, era quase um triângulo amoroso platônico, por isso, ao ver algo tão chocante e saber que Megan desapareceu na mesma noite, Rachel acha que precisa se envolver a ajudar a polícia a desvendar o caso, mas ela não se lembra de absolutamente nada do que viu naquela noite, porque ela estava bêbada é claro, só lembra que viu algo realmente terrível que a fez descer do trem e então acordar em casa machucada.

C H O C A D A
C H O C A D A

A narração de Megan começa um ano antes do seu desaparecimento e a personagem também não te cativa, desconfio que Megan tenha alguns sérios problemas psicológicos, com o tempo descobrimos um trauma profundo na sua vida, mas não sei se isso justifica o jeito dela de lidar com as coisas e as pessoas. A mesma coisa com Ana, a ex-amante e atual esposa do ex-marido de Rachel. Pegou tudo? Ana é a típica mulher que se acha fantástica porque, vejam bem, é a amante que foi promovida a esposa, ela realmente se orgulha disso de um modo que a gente só vêm em novelas, porém essa autoconfiança falha miseravelmente todas as vezes que Rachel está por perto, Rachel é a louca que quer destruir seu casamento feliz e construído sobre bases tão sólidas!

Não sei como Hawkins conseguiu criar 3 personagens mulheres tão chatas e clichês: a depressiva que não supera um ex-marido canalha, a jovem que não consegue se sentir estável em um relacionamento maduro e a mulher que acha que a culpa da infelicidade do cara mais perfeito do universo é da ex-namorada (esposa).

Ah e não vamos nos esquecer, sabe aquela coisa aterrorizante que Rachel viu do trem? Não era nada, absolutamente nada! Eu continuei lendo após a “revelação” esperando que ela tivesse visto BEM MAIS do que o livro diz que ela viu. Não me diga que alguém viu algo terrível se essa coisa não for no MÍNIMO alguém dando um tiro em alguém, uma machadada na cabeça, sei lá, o que Rachel viu acontece todo dia, provavelmente agora aí do seu lado mesmo está acontecendo. A coisa terrível que Rachel viu se tornou terrível porque ela é bem doida/paranóica. Fim.

Mas como disse, quando terminei o livro, estava empolgada. Tem como ficar empolgada depois disso tudo? Pois é, tem! Fiquei satisfeita por que acertei, satisfeita porque Rachel, pelosanguedejesus, reagiu no último suspiro do livro, enfim, numa soma que tinha tudo pra dar errado, acabei concluindo que ok, não é o melhor livro que eu já li, mas está longe de ser o pior. Rachel não está nem perto de ser uma protagonista admirável, mas reconhecendo seus limites, por causa do vício, e se esforçando para compadecer-se de sua situação, você fica feliz por ela, quem sabe, conseguir agora superar todos os seus traumas e manter-se sóbria.

Dei 3 estrelas e meias porque é aquele negócio: não digo que sim, não digo que não, com certeza não é um livro para aqueles que como eu, terminam e ficam ponderando todos os pontos da história, é um livro para quem quer ler por consumo, para dizer: eu li. No mais, deixo por sua conta e risco 🙂

 

Nota: 3,5/5

Onde encontrar:
Skoob
Americanas
Submarino

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Trailer do filme:

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