Resenha HQ – Azul é a Cor Mais Quente (Julie Maroh)

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

Sinopse:

Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.

Em tempos de luta por direitos e de novas questões políticas, “Azul é a Cor Mais Quente” surge para mostrar o lado poético e universal do amor, sem apontar regras ou gêneros.

O que eu achei:

Quando você termina um livro e a única coisa que você consegue sentir é amor.

É assim que me senti quando terminei Azul é a cor mais quente. E ainda fica aquele pensamento espreitando nossa cabeça: como alguém pode achar que isso é errado?

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

Azul é a cor mais quente, da Julie Maroh, ficou muito conhecido principalmente depois do lançamento do filme homônimo que ~chocou~ a sociedade conservadora pela cena de sexo entre duas mulheres. Eu não vi o filme ainda (sério, que vergonha de mim), então pouco posso dizer a respeito disso, ah não ser: tanta coisa ruim e doida acontecendo no mundo e as pessoas ainda acham tempo para ficarem chocadas porque duas mulheres ou dois homens se amam, por favor,   C R E S Ç A M.

O livro/HQ conta a história de Clémentine uma jovem que, como muitas outras, percebe não sentir atração por homens, mas sim por meninas, só que não é tão simples assim né? Tem muita dúvida, muito medo e muito preconceito no meio de tudo isso.

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

“Os problemas dos adolescentes são banais aos olhos dos outros,
mas quando a gente se sente sozinha, de mãos atadas,
como tomar uma decisão?”

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

Ao conhecer Emma, Clém se vê fisgada para uma realidade diferente e não sabe lidar com os pensamentos e sonhos que tem, e por não aceitar o que está acontecendo, ela não consegue se abrir e conversar com suas amigas.

Essa HQ é de uma sensibilidade tão grande que eu continuava repetindo é amor, de forma bruta e ao mesmo tempo delicada sabe, a cada página que eu virava e só via amor amor e amor…rs

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

Todos os questionamentos da Clém, tudo que ela julga não ser natural, porque alguém enfiou isso na cabeça dela ao longo de uma formação cheia de falhas e preconceitos, é difícil, é difícil ver como isso é real, como isso acontece a milhares e milhares de pessoas. Tem horas que dá vontade de abraçar ela e dizer “miga, vai ficar tudo bem”, mas será? Para uns fica tudo bem, para outros nem sempre.

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

As ilustrações são muito bonitas e na maior parte do tempo segue em tons de preto e branco, mostrando as memórias e a história de amor da Clém e da Emma, destacando apenas o azul dos cabelos da Emma ou outros objetos do mesmo tom, mas quando mostra o tempo atual, é um colorido suave e bonito, que ajuda a história a fluir de forma natural e muito rápida. Os pontos azuis é que narram as emoções da Clém para cada uma dos leitores, criando os momentos de expectativa e entrega.

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

A história de Clémentine e Emma é tão delicada e cheia de sentimentos que fica difícil não se emocionar. E acho que é isso que, pelo menos para mim, tornou essa história tão especial, perceber a similaridade dela com a vida de pessoas que eu amo, amigos e amigas.

O sentimento tão errado de culpa por não ser e sentir exatamente o que uma sociedade acha que você deve sentir, a dificuldade de passar isso para os amigos, a guerra travada com a família e, principalmente, a árdua luta de autoconhecimento e aceitação, de forma muito sincera Clém passa por tudo isso e nos permite acompanhar suas alegrias e dores.

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

Essa história é amor, da forma mais pura e eu espero que um dia você tenha um amor assim. E foi mais ou menos assim que eu fiquei quando terminei de ler:

Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

 

Nota: 5/5
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