Resenha – Nu, de botas (Antonio Prata)

Nu, de botas (Antonio Prata)

Sinopse:

As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da TV, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas – toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas.

O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular – cômico, misterioso, lírico, encantado.

Nu, de botas (Antonio Prata)

O que eu achei:

Sabe livro que parece carinho? É exatamente esse de Antonio Prata.

Nu, de botas (Antonio Prata)

Nu, de botas conta a história, ou melhor, as histórias de um Antonio mais menino e despreocupado com a vida, cheio de inocência e com um olhar mais poderoso sobre as pequenas coisas da vida, quase uma autobiografia.

E se tem uma coisa que mexe comigo essa coisa se chama: histórias da infância. Como ficar impune ao sentimento nostálgico que nos invade ao lembrar de pequenas coisas? Não por menos, ao chegarmos em ~certas idades~ começamos a proferir a frase: “naquela época que era bom”, sendo que naquela época tudo o que a gente queria era ser adulto, não por acaso, crianças são o símbolo constante da inocência.

Nu, de botas (Antonio Prata)

As histórias de Antonio, sempre recheadas de momentos de pura inocência infantil, amizades e momentos simples em família, me ajudaram a recordar inúmeras histórias da minha própria infância, suas páginas são quase uma ligação direta com o nosso passado, com algumas coisas quase que esquecidas, e no momento que uma lembrança retorna outras e mais outras acabam revelando-se também.

Com uma escrita fluída e natural, Antonio Prata desfila por suas lembranças e nos leva junto a uma infância marcada pelas descobertas, pelos medos e receios. Carrinhos de controle remoto, viagens, ditadura militar, programas infantis, amigos e família norteiam a infância de um escritor que escreve com grande liberdade sobre sua vida, sem parecer piegas ou forçado. São algumas de suas melhores lembranças contadas de forma natural e compartilhadas com quem tiver a oportunidade de lê-las.

Nu, de botas (Antonio Prata)

Nu, de botas (Antonio Prata)

Eu recomendo a leitura, para os saudosistas ou não, para os que cresceram de pés descalços numa rua cheia de crianças, para quem arregalava os olhos diante das coisas mais inacreditáveis do mundo e para aqueles que não viveram nada disso. Nu, de botas merece ser lido simplesmente por trazer a tona o melhor que já fomos um dia.

Nota: 4/5

Onde encontrar:
Skoob
Submarino

Curta a página do Literatura Pessoal no Facebook
Siga nosso Instagram: @literaturapessoal

Comments

comments

2 Comment

  1. Huuumm… Estou interessada 😀
    Viu, adorei o jeito que marca as páginas/trechos. Você faz isso em todos os livros? Como é que escolhe quais trechos são dignos de marcar? Sempre fico confusa e decido de última hora os trechos que mais gostei e vou usar para publicações no insta/face ou na resenha, rs. Me dê uma sugestão ^^

    1. Ei, obrigada!
      Na verdade eu também não sei muito, às vezes eu leio um livro inteiro e não me atento de marcar algumas partes, quando vejo já terminei e não usei nem um post-it! rs
      Mas no caso de livros como esse, que tem histórias individuais, pequenas crônicas/contos, eu marco aquelas que eu mais gosto, nos outros livros eu marco trechos e frases legais (quando eu lembro) 🙂

      bj!

Comentários fechados.