Resenha – O Leopardo (Tomasi di Lampedusa)

Sinopse:

“Romance histórico situado na segunda metade do século XIX, “O Leopardo” conta a fascinante história de uma aristocracia siciliana decadente e moribunda, ameaçada pela aproximação da revolução e da democracia. O enredo dramático e a riqueza dos comentários, o contínuo entrelaçar de mundos públicos e privados e, sobretudo, a compreensão da fragilidade humana impregnam “O Leopardo” de uma particular beleza melancólica e de um raro poder lírico, fazendo dele uma das obras-primas da literatura.”

O que eu achei:

É necessário dizer que no início deste livro me senti meio burra, como se tivesse perdido completamente a capacidade de compreender e acompanhar uma história mais densa e com uma narrativa mais rebuscada, o que de fato, era uma verdade. Acostumada a um texto mais mastigado, eu não estava preparada para a vastidão de vocabulário que Tomasi di Lampedusa simplesmente nos joga no colo em O Leopardo. Pensei em desistir da leitura, mas esse nunca é um sentimento fácil para seguir, aquela sensação de fracasso que ronda a nossa cabeça é bastante desconfortável, então, munida de um dicionário (hahaha) dei sequência a leitura. Que sorte!

A princípio pode parecer que O Leopardo falará sobre política, já que o romance nos conta a história da família aristocrata de Fabrizio Corbera, príncipe de Salina, a partir de 1860 durante o Risorgimento Italiano, processo de unificação do país que termina com a criação da República da Itália, e apesar de perpassar por esse tema, considero que ele seja como uma pano de fundo para a verdadeira história contada aqui: sobre a efemeridade da vida,  sobre como tempo nos afeta e sobre as mudanças necessárias nas estruturas políticas, sociais e claro, em nós mesmos.

Ao acompanhar a história de Don Fabrizio e sua família ao longo de 50 anos, percebemos que o aristocrata não está confortável com as mudanças que acontecem no país e vê que seu prestígio e poder estão diminuindo enquanto aqueles que ele considerava baixos demais estão ganhando mais espaço e dinheiro, estranhamente, algumas vezes até mais dinheiro que ele próprio!

A história também nos mostra que vitalidade é algo passageiro, o poderoso e imponente Leopardo, símbolo da casa, e animal cuja força e opulência sempre fora associada ao seu atual líder, vai desaparecendo ao longo da história conforme Don Fabrizio relembra os tempos de juventude e admite não estar mais nos seus melhores dias.

Com uma escrita extremamente fluida e elegante, é preciso ressaltar o poder de Lampedusa em descrever lugares e cenas, com certa melancolia, é quase impossível não ficar um pouco sensibilizada pela crescente decadência do protagonistas.

O Leopardo foi o primeiro livro que recebi pela TAG Experiências, a edição é linda e até onde sei essa edição não está disponível para vendas, apenas para assinantes do clube.

Nota: 4/5

Onde encontrar:
Skoob

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