Resenha – O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)

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Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy.

O único romance escrito por Emily Brontë é uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.

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O que eu achei:

Finalmente pude entender porque Mr. Heathcliff é uma dos personagens mais odiados da literatura! Que homem odioso, meu deus!

Como sempre, fui pega completamente desprevenida por um livro, acreditando ser um romance de época mais para os lados dos que eu já conhecia, fiquei bastante consternada ao perceber que felicidade não era bem o foco dessa obra (risos). Isso está praticamente se tornando uma tradição entre eu e os livros.

O Morro dos Ventos Uivantes foi publicado pela primeira vez em 1847 através do pseudônimo Ellis Bell, e é considerado um dos grandes clássicos da literatura universal, seu sucesso foi e é tão gigantesco que ele já foi adaptado mais de vinte vezes para o cinema, rádio e televisão!

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Este único romance escrito por Emily Brontë conta a história de um grande amor, amaldiçoado e repleto de vinganças, que também traz uns bons toques de sobrenatural. Fiquei muito impressionada com a capacidade narrativa da autora, que sem dúvidas deve ter deixado a crítica da época NERVOSA com sua autenticidade e ousadia.

A história começa com a chegada do Sr. Lockwood a propriedade de Trushcross Grange, que acha completamente ok, e de muita boa educação é claro, visitar seu locatário e vizinho, Heathcliff. COITADO, mal sabe ele onde está se metendo, achando o clima da casa e de seus moradores, digamos, um pouco pesado e sombrio, Lockwood acaba ficando bastante interessado em saber mais sobre a história dos seus moradores, e encontra em Nelly Dean, a governanta da sua casa, uma boa contadora de histórias.  

Nelly que conhece profundamente a história de amor de Heathcliff e Catherine rapidamente se torna uma excelente fofoqueira, e com uma impressionante riqueza de detalhes conta toda a história daqueles que, um dia, foram seus amigos. É claro que não podemos julgar Nelly tão mal assim e estou apenas brincando, ao contar a história para Lockwood, ela acaba desabafando dores e remorsos que carrega consigo mesma a muitos anos, e sua postura é sempre a de quem está cumprindo um favor/dever para com o novo patrão.

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Nelly, que mora desde pequena na região, acompanhou a vida de Heathcliff desde que ele e Cathy eram crianças, sua narrativa nos ajuda a entender melhor tudo o que aconteceu no Morro dos Ventos Uivantes nos últimos anos e porque a infelicidade parece ser uma regra no local.

No começo você até fica com um pouco de dó do pequeno Heathcliff, mas com o passar do tempo, e a cegueira do personagem pela vingança, fica impossível permanecer ao seu lado. Órfão, o pequeno foi acolhido pelo Sr. Earnshaw e era muito querido pelo homem, o que despertou um profundo ciúmes no filho mais velho, Hindley, mas grande afeição da caçula Catherine.  Quando os pais morrem Hindley assume a propriedade e utiliza todos os meios possíveis para humilhar e maltratar Heathcliff, que logo também é colocado de lado por Cathy, que apesar de amá-lo sabe que terá uma vida melhor casando-se com Edgar Linton, um jovem bonito e rico que a venerava.

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A partir daí não existe mais pedra sobre pedra ou paz na vida dos personagens. Para ser justa, Cathy também é uma personagem “insuportável”, e acho bem que ela e Heathcliff se mereciam, egoísta e impulsiva, ela nunca aceita se suas vontades forem contrariadas, chegando a ser histérica, exageradamente dramática e bastante orgulhosa.

É difícil seguir a leitura imaginando que todo aquele ódio, rancor e violência poderiam ser evitados se Heathcliff houvesse simplesmente superado Cathy, ou buscado novas formas de ser feliz, após quem sabe uma pequena vingança, mas aparentemente toda conquista, por maior que seja, ainda parece muito pequena para ele.

Mais triste ainda é perceber que existem por aí muitos Heathcliffs, talvez não com todo o poder destrutivo do personagem de Emily Brontë, mas seres corrosivos que parecem encontrar pequenas satisfações na dor alheia.

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Se observamos por uma linha mais atual, a história de Heathcliff com a família Earnshaw e Linton é um caso atemorizante de relacionamentos abusivos, onde uma pessoa, incapaz de ser feliz após uma perda/decepção amorosa, tenta de todas as formas incutir medo e tristeza na vida alheia, por acreditar que todos devem sofrer, já que um dia ele também sofreu.

Sem dúvidas, um livro que estava muito à frente da época em que foi escrito e se mantém como uma obra com grande poder de reflexão.

Se você, assim como eu, se manteve alheio a esse livro ao longo dos anos, acredito realmente que chegou o momento para dedicar-se a essa leitura, os sentimentos no final podem ser conflitantes, mas sem dúvida a experiência será maravilhosa.

 

Nota: 4/5

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Obs:

Encontrei na internet algumas tirinhas que ironizam a sede de vingança de Mr. Heathcliff e deixo algumas das minhas preferidas para vocês, infelizmente só as encontrei em inglês e elas podem entregar partes importantes da história, caso você seja uma pessoa completamente oposta aos spoilers. Leia por sua conta de risco 🙂

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2 Comment

  1. Oi, Lari! Como vai?
    Li esse livri há muitos anos, quando ganhei uma edição (aquelas de banca, com a capa vermelha e letras douradas) de uma tia. Devorei a história e achei muito perturbadora. Com certeza é um dos meus livros favoritos na vida, e já estou com vontade de reler mais uma vez!
    Gosto muito de suas resenhas, são diretas e muito deliciosas de se ler.
    Um abraço!

    1. Obrigada Fê!
      bjo

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