Resenha – O Pintassilgo (Donna Tartt)

O Pintassilgo - Donna Tartt

Sinopse:

Theo Decker, um nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe. Abandonado pelo pai, Theo é levado pela família de um amigo rico. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com quem não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma importante lembrança dela – uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte. Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração. ‘O pintassilgo’ é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

 

O que eu achei:

Quando eu vi que todo mundo estava comentando sobre esse livro, ganhador do Pulitzer 2014, acabei ficando interessada na leitura, mas eu também poderia tê-lo comprado única e exclusivamente por causa dessa capa maravilhosa <3 (afinal, sou dessas).

Em O Pintassilgo a gente acompanha a vida de Theo Decker desde os seus 13 anos, quando perde a mãe, até aproximadamente ele ter 27 anos. O livro começa pelo fim, com Theo aos 27 anos em um quarto de hotel, apavorado e com medo de ser descoberto pela polícia, a partir daí ele vai relembrar e contar a história da sua vida.

Partindo disso, o tempo todo eu estava preocupada com duas coisas: #1 Como ele chegou até ali; e #2 O que aconteceria a seguir. Eu sei que essas seriam as perguntas de qualquer leitor, mas eu realmente fiquei um pouco obcecada pela resposta, vencendo diversas vezes a tentação de simplesmente olhar o final do livro. Em contrapartida, eu fui enrolando para terminar a história pois fiquei realmente preocupada com o que poderia acontecer.

O Pintassilgo - Donna Tartt

É que a história dá muitas possibilidades para o Theo chegar onde ele estava no início do livro e como estamos acompanhando seu desenvolvimento e crescimento, fica meio que impossível saber o que pode ter acontecido, nos restando apenas a certeza de que terá algo a ver com O Pintassilgo, um quadro famoso de Fabritius, única obra do pintor que ainda existe, datada de 1654.

A escrita de Donna Tartt é realmente muito boa. Cheia de detalhes e descrições, o leitor acompanha Theo em diferentes cenários, reagindo com ele as diversas emoções e sensações.

Em determinados momentos, eu esquecia que o Theo era um adolescente e imaginava ele como uma criança mesmo, de 7 ou 8 anos, isso fez com que eu ficasse um pouquinho chocada com alguns dos acontecimentos. Quando essas coisas aconteciam, eu tinha que relembrar que o personagem já era um jovem de 15 para 16 anos e que coisas assim fazem parte dessa etapa da vida (de algumas vidas, pelo menos).

O que me fez ter essa errada noção de que o personagem é muito mais jovem do que ele realmente é, foi toda a descrição de fragilidade pós trauma que a autora faz. Theo vive atormentado pela culpa e se sente responsável pela morte da mãe. De certa forma, o tempo todo percebemos como a ausência dessa figura materna, que era tudo para ele, faz falta. O exemplo a ser seguido, a pessoa a quem ele recorria quando havia problemas, dúvidas ou medo. Tudo isso faz do Theo um jovem muito sensível, em determinado ponto eu diria até que ele se torna um pouco conformado, simplesmente aceitando certos relacionamentos, por achar que não tem domínio nenhum sobre sua vida e escolhas.

Talvez o único grande amigo de Theo tenha sido Boris, jovem que ele conheceu quando foi morar com seu pai em Las Vegas. Eu passei o livro inteiro não simpatizando com Boris, com um alerta de “encrenca” soando na cabeça, mas devo admitir que um pequeno discurso dele pro fim do livro me fez gostar muito do personagem. É tudo uma questão de ponto de vista. Quando um personagem fala por si e você não está recebendo informações de um terceiro, torna-se mais fácil simpatizar com ele.

Com uma história marcada por perdas trágicas e amizades duvidosas, Theo chega a vida adulta se apoiando no amor que o acolheu quando criança. Na maior parte do tempo, enfiando os pés pelas mãos, ele segue a vida tentando ser uma pessoa normal, mas errando vez ou outra com atitudes de caráter duvidoso.

E no fim, temos um encerramento bem realista e acho que isso é o que importa. Se fosse fantasioso, ou tipo muito romântico onde tudo fica bem demais, provavelmente o romance de Tartt não seria tão impactante.

O Pintassilgo nos mostra que na vida, o futuro depende das nossas decisões, das pessoas que temos ao nosso redor e, claro, de um pouquinho de sorte.

Se você gosta de livros com algumas reviravoltas e não espera que ele tenha sempre o mesmo encerramento, a história de Donna Tartt provavelmente irá te agradar.

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“… as vezes o mal pode vir de boas ações, onde é que está escrito que apenas o mal pode vir de más ações? Talvez às vezes a forma errada seja a forma certa.”


Nota: 4/5
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