Resenha – O Torreão

 

 

O Torreão

 

Eu cheguei ao “O Torreão” de Jennifer Egan por uma lista de “Os Melhores livros publicados em 2012”. Egan também é autora de um outro livro muito elogiado: “A Visita Cruel do Tempo” que já entrou para minha lista de próximas leituras.

Depois de ler “O Torreão” fui ver pela internet o que as pessoas haviam achado do livro. Primeira impressão: alívio. Não fui a única que no começo do livro, não estava entendendo bulhufas do que estava rolando por ali. Segunda impressão: Fui uma das poucas que entendeu o fim da história.

Durante o livro temos duas linhas narrativas: de Dany e de Ray. No começo estava tudo meio embolado, no mesmo capítulo um parágrafo falava sobre o Dany e no seguinte já era a história do Ray. E eu tinha que parar, piscar e voltar pra tentar entender.

Concordo com as outras opiniões de que a autora tentou criar um clima de terror no início que não colou. Outras coisas que aconteceram durante o livro também ficaram com uma cara de “Lost” (o seriado), e não foram explicadas. Apesar de que, na contra capa do livro temos um pequeno resumo dizendo que Dany se envolve em uma aventura e em determinado momento não sabe mais dizer o que é real ou não, conclui que provavelmente o fato da autora não explicar tudo seja proposital, assim com o fim do livro, a dúvida do “aconteceu ou não”, deixa de ser do Dany e passa a ser do leitor.

A história: Dany vai para uma região no interior da Europa para ajudar seu primo na reforma de um castelo, a ideia é transformar o hotel em um lugar onde as pessoas possam se desconectar do mundo e viverem novas experiências. Mas muitas coisas estranhas acontecem com Dany no pouco tempo que ele está por lá: uma baronesa misteriosa, uma piscina provavelmente assombrada e nenhum contato com o mundo externo. Já Ray é um presidiário que participa de aulas de escrita criativa e tenta com a sua história criar uma ligação com Holly, sua nova professora.

Apesar de muita gente ter criticado o fim do livro dizendo que não fazia o menor sentido, eu achei o final muito satisfatório. Fez surgir aquele pequeno sorriso no meu rosto quando eu comecei a ligar os pontos e vi que diferente do que eu esperava, a história pareceu fechar um ciclo e tornar real algo que antes era apenas uma pequena passagem lá no início da história de Dany.

Acho que é exatamente essa sutil referência a algo que foi criado no meio da história que torna o livro de Egan tão especial. É uma daquelas histórias que eu gostaria de ter escrito, porque no fim, depois de todas as voltas, o objetivo é simples. Quer dizer, muitas coisas não foram explicadas, mas eu não leio romances para ter explicações literais de tudo o que estava acontecendo. Acho que alguma coisa tem que ficar para imaginação do leitor. Esse sentido que a autora tentou imprimir no texto tem que passar pela sensibilidade de quem está com o livro.

Talvez por ser um livro tão elogiado pela crítica as pessoas esperavam por uma história mais obvia, o que ela acaba não sendo. Por isso acho que “O Torreão” é uma boa oportunidade de exercitar nossa capacidade de leitura e interpretação, abandonando de vez o hábito de apenas “ler mais um livro”.

 

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1 Comment

  1. nelson says:

    Concordo com a sua resenha, amigo. Para instigar demais leitores e a nossa própria imaginação. Ray era na verdade o Mick? Que depois de matar Danny sem motivo, foi para cadeia e lá escreveu uma história com fantasias e depois a Holly veio e reescreveu o manuscrito, do jeito que Ray a pediu.

Comentários fechados.