Resenha – Os Três (Sarah Lotz)

 

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Sinopse:

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular:

Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele…

Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

O que eu achei:

Esse livro, eu tinha tantas esperanças em relação a esse livro.

Lembro dos meus olhinhos brilhando ao ler a sinopse e resolvendo compra-lo pois prometia ser um suspense sinistro de tirar o fôlego. Porém, não é bem assim.

No começo fiquei muito empolgada com a forma de narrativa da história, que tenta o tempo todo tratar do ocorrido como algo real, eu fui tão absorvida pela narração que resolvi pesquisar na internet se a tal “Quinta-feira Negra” de fato havia ocorrido (risos), não em sua totalidade, mas algo próximo. Então podemos começar dizendo que a escrita de Sarah Lotz convence!

Na verdade o livro é uma espécie de arquivo que reúne diversos documentos a respeito da tal Quinta-Feira Negra, com transcrições de programas de rádio, chats de bate papo, recortes de notícias, entrevistas e depoimentos, material coletado pela jornalista Espeth Martins e publicado em forma de livro.

Mas do que se trata a história a final? No dia 12 de Janeiro de 2012, quatro aviões de passageiros caíram com horas de diferença, resultando na morte de mais de mil pessoas, apenas 3 crianças (uma de cada vôo) sobreviveram. O dia ficou conhecido como Quinta-Feira Negra.

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Semanas após a queda dos aviões o mundo recebeu uma avalanche de relatos de não ficção, blogs, biografias e artigos de opinião aproveitando o fascínio mórbido do público pelo evento em si e pelas crianças sobreviventes, que ficaram conhecidas como Os Três.

Basicamente a história disseca a opinião popular a respeito dessas crianças e como uma onda imensa de teorias da conspiração passaram a impactar a vida das pessoas. Espeth tenta se aproximar das famílias dos sobreviventes para entender as mudanças ocorridas em suas vidas e comprovar se alguns dos boatos podem ser verdadeiros.

A teoria da conspiração mais explorada é a que foi lançada pelo Pastor Len Vorhees, em seu programa de rádio cujo nome é (CHOREM): Minha Boca, a voz de Deus. E quando o livro ia pro lado do Pastor Len, a coisa descambava pro absurdo. A crítica de Lotz é muito ácida e certeira quando, na voz do Pastor, converte fatos, aparentemente simples, em coisas apocalípticas, o que não foge muito do que é pregado pelo fanatismo religioso, não é mesmo?

Em posse de uma mensagem de áudio enviada por Pam, uma antiga fiel, minutos antes de morrer após a queda do seu vôo, Pastor Len transforma cada detalhe de seu conhecimento em um prenúncio do apocalipse e as 3 crianças (quatro, pois ele acredita na existência de uma quarta criança sobrevivente) nos 4 Cavaleiros do Apocalipse.

Apesar da leitura ser envolvente, rapidamente a autora entrega o final da história e você segue lendo mais para entender como as coisas de fato aconteceram e, com a curiosidade mórbida, descobrir se as crianças de fato podem ser o que dizem as teorias.

Os Três (Sarah Lotz)

Das crianças, Bobby, Jess e Hiro, talvez a mais suspeita seja a Jess, mas provavelmente isso se deve ao fato da sua história ser contada por Paul, seu tio e atual responsável, ser bastante paranóico e começar a acreditar nas teorias de conspiração, as outras famílias estão sempre preocupadas pois, é muito provável que as crianças estejam severamente traumatizadas, mas acreditam que se comportam de forma diferente, por serem, obviamente, crianças.

O que mais me incomodou, foi o fim. Não é que eu não gostei, é só que ele é ruim (risos). Pelo menos eu achei. Esse é um dos raros livros em que ficar no escuro seria melhor. A resolução da história, a verdade sobre as 3 crianças, desnecessário.

A parte das teorias é realmente muito bacana, do tipo que a gente lê por aí sempre e não pode acreditar, não vê motivos para acreditar, mas por entregar parte importante da história muito rápido, chega um momento que você se sente ludibriado e só quer que ele termine logo.

Pode ler, é interessante, mas não espere muito do fim não… =)

Nota: 3/5
Skoob
Livraria da Folha
Americanas

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Comments

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2 Comment

  1. O começo da história parece um bocado com a série The Leftovers. Começar um argumento massa é fácil, o difícil é dar fim, esse é um problema recorrente.

    1. Pois é Márcia, a premissa da história é muito interessante e a forma como ela é contada também, mas o final não me agradou muito.

      Obrigada pelo comentário 🙂

Comentários fechados.